Véspera de dia da mãe e ainda não decidi o bolinho que lhe vou fazer… Ofereci-lhe um livro com alguma antecedência, com o intuito de ser um presente de dia da mãe, mas queria dar-lhe mais qualquer coisa, mostrar-lhe que me lembrei do dia, porque não é por sermos mães que deixamos de ser filhas…
Os dias têm sido frustrantemente intensos, as horas parece que se transformaram em minutos e as solicitações das mais variadas origens têm-me atordoado na minha espécie de ordem diária [ténue e periclitante] de prioridades.
Se tudo isto já torna complexa a escolha, na verdade o palato da minha mãe é algo diferente do meu, ainda que doces sejam sempre doces, e ela seja uma das inúmeras fãs. A minha mãe gosta de coisas simples, tradicionais, saciantes. Eu adoro fazer experiências, misturar texturas, afastar-me claramente do tradicional. Pois… Vislumbrava-se uma escolha complexa…
Resolvi ligar-me à blogosfera e se há desígnios que não se refutam, o meu caminho foi dar ao blog Sabores com história, um blog que sigo há já algum tempo e que me prende toda a atenção. E os meus olhos aterraram na tarte perfeita, simples, mas com o aspeto de ‘come-me rapidamente, sem demora’ que pretendia. Estava decidida a receita. Era só uma questão de me organizar da parte da manhã, para que à tarde estivesse pronta para ser oferecida.
Mas mais uma vez os desígnios levaram-me noutro caminho… A minha avó ligou-me a dizer que o meu avô tinha ido para o Hospital no dia anterior e que precisava que a ajudasse com os medicamentos na farmácia… Fiquei sem manhã, sem disposição e com os radares apontados noutra direção…
Quando consegui que tudo estivesse estável e controlado eram já 16h e a minha mãe entrava pela casa a dentro… Estava a espalhar a base nas tarteiras. Claro que quando foi embora as tartes nem a meio estavam… Mas também não me descosi e não lhe disse que o objetivo era oferecer-lhas.
Eram 19:30 quando finalmente terminei as tartes. Estava orgulhosa do meu trabalho, muito orgulhosa e pedi ao Mário para levar uma das tartes a casa da minha mãe.
Quando chegou passámos à sessão fotográfica e depois à prova. E de sabor ultrapassou todas as expectativas… A prova de que ‘menos’ às vezes é ‘mais’. Nem sempre é preciso complicar, ou utilizar listas de supermercado de ingredientes. Às vezes as coisa simples são as melhores.
Quando olhei para as fotos que tinha tirado lembrei-me de imediato no passatempo que está a decorrer até 31 de Maio no blog Limited Edition.
O passatempo consiste em criar uma receita baseada nos 7 pecados mortais. E se esta tarte não encaixa em três ou quatro pecados, que outra encaixará??? De aspeto imaculado e inofensivo, é na verdade viciante e sorrateiramente capaz de levar um ser humano a pecar uma e outra vez, até que todas as migalhas tenham desaparecido.
O difícil, foi por isso, escolher o pecado…
Lembrei-me de concorrer com a ‘inveja’ já que assim que vi a tarte no blog da Liliana a quis só para mim… Mas, dado que o propósito era o ‘dia da mãe’ não me ficaria bem encaixá-la neste pecado.
Pensei então na ‘avareza’, porque apesar de as ter feito para oferecer, depois de feitas, tive dificuldade em partilhá-las… Eu sei… É um sentimento feio, mas é difícil resistir ao creme delicioso, à massa no ponto certo e aos morangos e maracujá a brilharem no topo da tarte… O chamariz perfeito para o avaro mais devoto.
Tudo porque esta tarte comete também o pecado da ‘soberba’. Enquanto era fotografada, exuberante no alto do seu pedestal, parecia que tinha o rei na barriga, que era a sobremesa mais vistosa e deliciosa criada pelo homem. Não anda longe, confesso, mas só porque me fez quebrar a dieta, apeteceu-me contrariá-la…
Lembrei-me então da ‘ira’… A certa altura senti-me capaz de cometer um crime se alguém ousasse roubar a última tarte do frigorífico. Claro está que para evitá-lo, comi a última e a penúltima (OPS!).
O salto para a ‘gula’ parece óbvio e natural… O impulso para devorá-las, de uma assentada só, esteve sempre latente. Uma vontade primitiva reprimida, mas depois da primeira dentada, esquecem-se os talheres e a etiqueta. Parece tarefa impossível evitar a vontade de as comer, simplesmente comer…
Foi quando fiz o desenho mental da ‘preguiça’… A cada dentada é como se o tempo me escapasse por entre os dedos, numa calma indulgente enquanto se trinca outro e outro pedaço, sem regras, num lambuzar espontâneo… Num momento sem pressa, só meu!
Mas, se tentar isolar apenas a essência da tarte, o seu sabor, o pecado que a melhor a descreve é sem dúvida a ‘luxúria’, é verdadeira pornografia culinária. Apesar do seu aspeto imaculado, singelo, inocente, é na sua essência uma receita singular, provocadora, sensual e erótica, capaz de levar ao prazer e à loucura quem dela prove. Os cinco sentidos em uníssono num caminho sem retorno, numa compulsão capaz de motivar os restantes seis pecados mortais. Numa só palavra – A Tentação.
Ainda que a receita não esteja na integra fiel ao original do blog Sabores com História, senti que era importante para mim, para além de dar os devidos créditos que dou sempre a quem de direito, receber a autorização da Liliana para participar com esta receita, já que foi ela que me serviu de inspiração. Autorização recebida, é com enorme orgulho que apresento esta receita que tanto sucesso fez cá por casa. Espero que gostem!
Ah! Já me esquecia… A minha mãe adorou!!!! E eu fiquei felicíssima!
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Tarte de morango e maracujá
(Faz 2 tartes de 24 cm, ou 1 tarte de 24 cm e 6 pequenas tartes)
Ingredientes:
Para a massa brisée:
- 50 gr de açúcar
- 45 gr de leite
- 2 gemas M
- 300 gr de farinha T55
- 150 gr de manteiga
Para o recheio:
- 1 litro de leite meio gordo
- Raspa de meio limão (só o vidrado, sem a parte branca)
- 1 pau de canela
- 120 gr de açúcar
- 6 gemas M
- 65 gr de amido de milho (@Maizena)
- 3 folhas de gelatina
- Morangos qb (usei uns 10)
- Maracujá qb (usei 2)
Preparação:
Pré-aqueça o forno a 180º.
Começando pela massa brisée, coloque o açúcar no copo da Bimby e pulverize 15 segundos, velocidade 7. Adicione os restantes ingredientes da massa e programe 15 segundos, velocidade 5.
Divida a massa ao meio e estenda numa superfície enfarinhada com o auxilio de um rolo da massa. Em alternativa vá pressionando com os dedos na base até que consiga tender e cobrir toda a superfície da tarteira. Pique com um garfo e leve ao forno 15 minutos. Findo o tempo, retire e deixe arrefecer por completo.
Prepare o recheio, coloque 900 gr/ml de leite no copo da Bimby, o pau de canela e a casca de limão e programe 8 minutos, 90º, velocidade 1. Findo o tempo, retire a casca de limão e o pau de canela.
Numa tigela hidrate as folhas de gelatina (em água fria) cerca de 5 minutos.
Numa outra tigela misture o açúcar com o amido de milho e junte as gemas mexendo bem com uma vara de arames para que não fique com grumos. Junte 100 gr/ml de leite frio e mexa uma vez mais.
Junte cerca de 1/3 do leite quente aromatizado, em fio, à mistura de ovos.
Entretanto, volte a programar a Bimby 8 minutos, 70º, velocidade 3 e vá adicionando aos restantes 2/3 de leite quente a mistura de ovos, em fio, pelo bocal do copo da Bimby. Findo o tempo, junte as folhas de gelatina hidratadas (sem a água) e programe mais 4 minutos, 90º, velocidade 3 para engrossar. Findo o tempo, retire e deixe arrefecer por completo.
Depois do recheio frio, distribua pelas bases de tarte e leve ao frigorifico no mínimo 2 horas.
Findo o tempo, lamine os morangos e distribua por cima. Abra os maracujás e distribua por cima dos morangos. Coma bem fresquinha.
Alternativa de Preparação:
Pré-aqueça o forno a 180º.
Começando pela massa brisée, misture os ingredientes secos numa tigela (utilize açúcar em pó, em vez de açúcar refinado). Adicione os ingredientes líquidos no centro e vá amassando aos poucos até obter uma massa lisa que não se cole aos dedos.
Divida a massa ao meio e estenda numa superfície enfarinhada com o auxilio de um rolo da massa. Em alternativa vá pressionando com os dedos na base até que consiga tender e cobrir toda a superfície da tarteira. Pique com um garfo e leve ao forno 15 minutos. Findo o tempo, retire e deixe arrefecer por completo.
Prepare o recheio, leve ao lume 900 gr/ml de leite com um pau de canela e uma casca de limão. Deixe aquecer, mas não deixe ferver.
Numa tigela hidrate as folhas de gelatina (em água fria) cerca de 5 minutos.
Numa outra tigela misture o açúcar com o amido de milho e junte as gemas mexendo bem com uma vara de arames para que não fique com grumos. Junte 100 gr/ml de leite frio e mexa uma vez mais.
Junte cerca de 1/3 do leite quente aromatizado, em fio, à mistura de ovos, mexendo sempre para não cozer.
Vá adicionando aos restantes 2/3 de leite quente a mistura de ovos, em fio, mexendo sempre. Junte as folhas de gelatina hidratadas (sem a água) e leve ao lume, muito brando, para engrossar. Estando pronto, deixe arrefecer por completo.
Depois do recheio frio, distribua pelas bases de tarte e leve ao frigorifico no mínimo 2 horas.
Findo o tempo, lamine os morangos e distribua por cima. Abra os maracujás e distribua por cima dos morangos. Coma bem fresquinha.
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Receita baseada na tarte de leite creme e morangos do blog Sabres com História.
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